segunda-feira, abril 02, 2007

Asas de papelão

Fico dentro desta gaiola...
não estou preso, mas sinto-me a sufocar
de fora sinto-me solto, mas estou sozinho.
Porque é que não podemos ficar sozinhos ?

Tenho asas e a porta da gaiola está aberta.
Porque é que não fujo ?

Porque as minhas asas são de papelão
são frágeis, são asas de fingir.
Dentro desta gaiola são as mais lidas
as mais perfeitas, mas de nada servem lá fora.

Dá-me asas reais para contigo poder voar.

Pedro Vargas

sexta-feira, março 02, 2007

A vida reflectida

Estou apaixonado pela vida
por tudo o que ela me oferece

Acordava e corria sem te ver
mas tu oferecias-me um sorriso pela manhã
e deixavas-me dar aquele suspiro pela noite...

Peço desculpa por não ter reparado em ti
e se te vi, foi porque vi o meu reflexo espelhado no lago,
lá estava eu e tu ao meu lado

Sorri quando vi que tinhas a tua mão sobre mim
nada era por acaso, os sorrisos, as alegrias e o sonho tornado realidade.
Eras tu.

Pedro Vargas

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Senti-te nos meus braços

Senti-te nos meus braços, indefesa e meiga.
Não parecias aquela menina que de tudo fugia, que refilava e que estava sempre agitada. Aqui, nos meus braços sinto-te respirar, suspirar e dormir.
Gosto de olhar para ti, para a tua cara de anjo e para o teu sorriso, gosto de te ver feliz e para isso era capaz de te dar a lua embrulhada em estrelas.

Pedro Vargas

domingo, janeiro 21, 2007

Olhos tímidos sorrindo

Mulher dos olhos verdes e translúcidos
da cor da água da lagoa pouco profunda
tiraste-me o fôlego, não consegui atingir o teu fundo.
Sorriste para mim com aquele olhar tímido
soube nesse momento que eras mulher, que eras criança.

O teu olhar, torna mole o meu coração de pedra
O teu sorriso, cativa a chave que o abre
O teu jeito, abriu com facilidade a porta emperrada
Tu entraste dentro dele sem pedir licença

Tento pôr-te fora, mas não te encontro
agora é impossível, porque fazes parte dele.
Aberto, sem chave, cheio e quente
bate ao ritmo do teu coração.


Pedro Vargas


terça-feira, janeiro 09, 2007

Ilusão

A noite está outra vez fria, mas aqui encontro o calor que aquece o meu corpo de saudade. Durmo sempre deste lado como se tivesses aqui, o espaço é enorme e vazio, mas ao mesmo tempo, tão preenchido de recordações...
Espero por ti, mas tu não chegas. A lua, essa, hoje chegou mais cedo e espreita-me pela janela, mas as estrelas, essas, há muito que não as vejo, porque estão escondidas pelas luzes da cidade, da mesma forma que um dia a luz da ilusão me escondeu o teu brilhar.

Pedro Vargas